EUA e Rússia se reúnem sem Ucrânia para discutir fim da guerra

RIAD (Reuters) – Autoridades dos EUA e da Rússia se reuniram nesta terça-feira em Riad para suas primeiras conversas sobre o fim da guerra na Ucrânia, enquanto Kiev e seus aliados europeus observavam ansiosamente do lado de fora.

As conversas na capital saudita ressaltaram o ritmo acelerado dos esforços dos EUA para interromper o conflito, menos de um mês após a posse do presidente Donald Trump e seis dias após ele ter conversado por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Mas a Ucrânia e os líderes europeus estão preocupados com a possibilidade de Trump fechar um acordo precipitado com Moscou que ignore seus interesses de segurança, recompense a Rússia por invadir seu vizinho e deixe Putin livre para ameaçar a Ucrânia ou outros países no futuro.

Os críticos dizem que a equipe de Trump, ao descartar a adesão da Ucrânia à aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e dizer que o desejo de Kiev de recuperar todo o território perdido é uma ilusão, fez grandes concessões antecipadamente. As autoridades dos EUA dizem que estão simplesmente reconhecendo a realidade.

A Ucrânia diz que nenhum acordo de paz pode ser feito em seu nome. “Nós, como um país soberano, simplesmente não poderemos aceitar nenhum acordo sem nós”, disse o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, na semana passada.

As negociações dos EUA e Rússia em Riad colocaram três autoridades norte-americanas no primeiro mês de seus cargos — o secretário de Estado, Marco Rubio; o conselheiro de Segurança Nacional, Mike Waltz, e o enviado de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff — diante do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, no cargo desde 2004, e do veterano assessor de Putin Yuri Ushakov.

A mídia teve permissão para filmar as duas delegações, sentadas em lados opostos de uma mesa de madeira polida com grandes arranjos florais brancos.

As autoridades ignoraram as perguntas gritadas pelos repórteres que indagaram se os EUA estão deixando os ucranianos de lado e quais concessões Washington está exigindo de Moscou.

O Kremlin disse que as conversações em Riad podem trazer clareza sobre uma possível reunião entre Trump e Putin, que ambos os homens disseram estar interessados em realizar.

A Rússia lançou uma invasão em grande escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, oito anos depois de tomar a Crimeia e fomentar uma insurgência no leste do país. Atualmente, ela controla cerca de um quinto do território ucraniano.

Trump se candidatou à Presidência no ano passado com base em uma promessa frequentemente repetida de encerrar o conflito em 24 horas, embora suas autoridades agora admitam que isso levará meses. Ele descreveu a guerra como “ridícula” e disse que ela está “destruindo” a Rússia.

Moscou, no entanto, tem soado cada vez mais confiante nos últimos meses, pois suas tropas avançaram no ritmo mais rápido desde 2022 e as propostas de Trump acabaram com seu isolamento quase total do Ocidente. Sob o comando do antecessor de Trump, Joe Biden, o Kremlin havia descrito as relações como “abaixo de zero”.

As autoridades dos EUA classificaram as conversas de terça-feira como um contato inicial para determinar se Moscou está falando sério sobre o fim da guerra, depois que Putin e Trump conversaram na última quarta-feira.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse a repórteres nesta terça-feira que “o presidente Putin vem repetindo suas palavras sobre sua disposição para negociações de paz desde o início”.

Mas ele também disse que qualquer acordo com a Ucrânia teria que levar em conta um possível desafio à legitimidade de Zelenskiy, que permaneceu no poder além do final de seu mandato normal porque a Ucrânia está sob lei marcial.

O Kremlin sugeriu que as discussões abrangeriam “todo o complexo das relações russo-americanas”.

Putin e Trump disseram que, além da guerra, eles estão interessados em discutir questões como o controle de armas nucleares e como reduzir os preços globais de energia.

Sob o comando de Biden, os Estados Unidos forneceram muitas dezenas de bilhões de dólares em armas e ajuda à Ucrânia e se juntaram a outros governos ocidentais para impor ondas de sanções à Rússia.

Moscou afirma que tem resistido às sanções e que elas se voltaram contra aqueles que as impuseram.

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