Polícia moçambicana pede soluções para acabar com protestos

Maputo, (Lusa) – O comandante-geral da polícia moçambicana disse hoje que é preciso identificar formas para acabar com os protestos pós-eleitorais em Moçambique, referindo que “ninguém pode afrontar o Estado” e que não se pode viver sob o medo.

“Não podemos viver sob o medo, sob coação, ninguém pode viver assim. Ninguém pode fazer afronta ao Estado, ninguém o deve fazer (…). Temos de identificar formas de ultrapassarmos isto agora e acabar com isto”, disse Joaquim Sive, comandante-geral da polícia moçambicana (Polícia da República de Moçambique – PRM), durante um encontro com agentes económicos em Massinga, na província de Inhambane, sul do país, citado hoje pela comunicação social.

Joaquim Sive pediu o apoio da população para encontrar soluções para ultrapassar a crise pós-eleitoral, referindo que o trabalho da polícia “mede-se por aquilo que a população diz”.

“Se nós, a polícia, nalgum momento fizemos algo que não devíamos ter feito, vamos conversar e ultrapassar”, acrescentou o comandante-geral da PRM.

Na segunda-feira, em Inhambane, populares em protesto vandalizaram duas sedes distritais da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, disse o secretário provincial de mobilização do partido.

“Pela manhã, os manifestantes entraram na sede de Morrumbene e atearam fogo à papelada (…), na cidade de Maxixe aconteceu o mesmo cenário, arrombaram a porta, entraram e queimaram os documentos”, declarou à Lusa Essau Maela.

Moçambique vive desde outubro um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações convocadas por ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que rejeita os resultados eleitorais de 09 de outubro, que deram vitória a Daniel Chapo.

Atualmente, os protestos, agora em pequena escala, têm estado a ocorrer em diferentes pontos do país e, além da contestação aos resultados, os populares queixam-se do aumento do custo de vida e de outros problemas sociais.

Desde outubro, pelo menos 353 pessoas morreram, incluindo cerca de duas dezenas de menores, e cerca de 3.500 feridos durante os protestos, de acordo com a plataforma eleitoral Decide, organização não-governamental que acompanha os processos eleitorais.

O Governo moçambicano confirmou pelo menos 80 óbitos, além da destruição de 1.677 estabelecimentos comerciais, 177 escolas e 23 unidades sanitárias, durante as manifestações.

LN (LYCE) // VM

Lusa/Fim

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