Morreu antigo líder da guerrilha do partido moçambicano Renamo

Maputo, (Lusa) – O antigo líder da guerrilha da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) Timosse Maquinze morreu na quarta-feira vítima de doença, anunciou hoje aquela força política.

“É uma notícia muito pesada, triste para mim porque vivi muito tempo com o general Maquinze. Era um homem muito competente, era homem de táticas e não de teorias (…)Sinto que o partido e todos os membros foram surpreendidos, apesar do estado de saúde que ele apresentava nos últimos tempos”, disse a jornalistas o antigo secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo sobre o antigo líder da guerrilha.

Timosse Maquinze, membro do braço armado do partido mais antigo entre as forças de oposição em Moçambique, morreu na quarta-feira no vizinho Maláui, onde recebia tratamento médico, e o corpo foi transladado para Sofala, onde vão decorrer as cerimónias fúnebres.

O antigo guerrilheiro, descrito como o principal homem de confiança do também já falecido cofundador da Renamo Afonso Dhlakama (1953-2018), foi forte crítico da liderança de Ossufo Momade, atual presidente do partido, tendo pedido inúmeras vezes para que abandonasse a liderança da formação partidária.

Numa das suas últimas presenças em público, em declarações à Lusa, Maquinze acusou Momade de inércia face a alegadas irregularidades nas eleições autárquicas moçambicanas de 2023, supostamente a favor do partido no poder (Frelimo), e de negligência face à situação dos guerrilheiros do partido que, na altura, estavam no processo de desmobilização resultante do último acordo de paz assinado com o Governo.

Em 18 de março do ano passado, Timosse Maquinze voltou a acusar Ossufo Momade de violar “sistematicamente” os estatutos do partido, após a formação rejeitar a candidatura à liderança do partido do político Venâncio Mondlane, na altura ainda filiado à Renamo.

“Eles sabem muito bem que se concorrerem com os outros vão perder, por isso é que estão com medo. Em democracia as pessoas não são proibidas de concorrer (…) Quem é ele para concorrer sozinho? Com o Dhlakama vivo e nas matas o congresso era sempre realizado e lá havia outros militares que manifestavam interesse ao cargo, mas não eram impedidos”, apontou naquela data.

A Renamo, que nas últimas eleições gerais perdeu o estatuto de principal partido de oposição, é liderada por Ossufo Momade desde a morte de Afonso Dhlakama, em maio de 2018.

Ossufo Momade foi candidato presidencial nas eleições gerais de 09 de outubro de 2024, obtendo 6% dos votos, o pior resultado de um candidato apoiado pelo partido desde as primeiras eleições, em 1994.

Durante 16 anos, Moçambique viveu uma guerra civil, que opôs o exército governamental e a Renamo, tendo terminado com a assinatura do Acordo Geral de Paz, em Roma, em 1992, entre o então Presidente, Joaquim Chissano, e Afonso Dhlakama, líder histórico da Renamo, abrindo-se, assim, espaço para as primeiras eleições, dois anos depois.

Em 2013 sucederam-se outros confrontos entre as partes, que duraram 17 meses e só pararam com a assinatura, em 05 de setembro de 2014, do Acordo de Cessação das Hostilidades Militares.

PME(JYJE)// ANP

Lusa/Fim

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