Pequim, (Lusa) – Taiwan publicou hoje um novo conjunto de diretrizes para proteger a população em caso de ataque aéreo, numa altura de crescentes tensões com a China.
Em comunicado, o Ministério do Interior de Taiwan indicou que o manual tem por base “experiências internacionais” e aborda três aspetos principais: escolha do local de abrigo, posturas de proteção e instruções de ação, com o objetivo de “reforçar a capacidade de reação imediata da população em situações extremas”.
As novas normas estipulam que devem ser priorizados abrigos subterrâneos em detrimento dos de superfície e que é preferível procurar refúgio em espaços interiores em vez de ao ar livre. A população é ainda aconselhada a “manter-se afastada de fachadas, portas, janelas e objetos frágeis ou perigosos” durante um bombardeamento.
Se não for possível entrar a tempo num edifício ou instalação de evacuação antiaérea, o manual recomenda agachar-se para reduzir a altura, proteger a cabeça e posicionar-se de costas para a direção da explosão, de forma a “minimizar os danos causados pela onda de choque e por estilhaços”.
“A população deve dar prioridade ao acesso a caves ou instalações de evacuação antiaérea. Caso tal não seja possível e se esteja num espaço interior, deve-se evitar os pisos mais altos. No exterior, deve-se entrar rapidamente no edifício mais próximo ou procurar coberturas como túneis ou passagens subterrâneas”, referiu o ministério.
A tutela alertou que as situações “podem mudar repentinamente” e sublinhou que “só conhecendo e recordando corretamente os princípios de evacuação é possível tomar decisões e agir de forma adequada em momentos críticos”.
A publicação deste guia ocorre num momento de forte fricção entre Pequim e Taipé, uma ilha com governo autónomo desde 1949, mas que a República Popular da China considera uma “parte inalienável” do seu território.
Nos últimos anos, a China intensificou a pressão diplomática e militar sobre Taiwan através de manobras militares nas imediações da ilha e do aumento do número de incursões de aeronaves militares na sua zona de defesa aérea.
O Governo de Taiwan, liderado desde 2016 pelo Partido Democrático Progressista, defende que a ilha é, de facto, um país independente e sustenta que o seu futuro deve ser decidido pelos seus 23 milhões de habitantes.
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